quarta-feira, 29 de agosto de 2018

A CIDADE DOS BALDIN

    O INÍCIO DA SAGA DA FAMÍLIA BALDIN

   Eu gostaria de iniciar de onde tudo realmente começou, com Gasparo Baldin, pai de Adamo Baldin, pai de Giambattista Baldin (GioBatta)
   Cidade de Castelfranco Vêneto, onde nasceu e casou-se Adamo, nasceu Giambattista, pai de Filippo. Mas a página se tornaria longa. Apesar das dificuldades e depois de anos de pesquisa, contando com a ajuda de D. Noé Tamai, sem o qual essa história não teria sido possível, inicio a partir de Giambattista.Nessa bonita história duas cidades são importantes: Castelfranco Vêneto, onde nasce Filippo e Castello de Godego onde nasce Pietro, que é o Chefe da família da qual faço parte. Conheça um pouco de cada uma.


                      

                                               CASTELFRANCO VÊNETO – TREVISO

   Castelfranco Vêneto, situa-se na Província de Treviso.
   Foi fundada em 1199, pelo próprio governo de Treviso , toda murada, como defesa contra a vizinha Padova. As muralhas ainda estão de pé. Possui 31.480 habitantes. Nesta cidade nasce Filippo Baldin , no dia 26. 04.1838, filho de Giambatista Baldin e Caterina Brison, seu avô era Adamo Baldin e seu bisavô Gasparo Baldin


                                                             
               
                                                 

                                            CASTELLO DI GODEGO - O INÍCIO DA FAMÍLIA

   Castello di Godego também se localiza na Província de Treviso, têm 6.282 habitantes e se estende sobre uma superfície de 17,98 km² e se encontra a 51 metros de altitude. Este nome se refere a construção de uma fortaleza da época romana que se conservou na época bárbara. Na distante idade média o Castello pertencia aos Ezzelini. Godego poderia ao contrário derivar das palavras longobarde: a gudia,a gudara o gudaga( mato) ou dos Goti. As abundantes provas trazidas à luz, documentam as origens antiqüíssimas da região; particularmente interessantes são os relativos à Idade do Bronze, descobertas realizadas ao redor dos "Motes", enorme aterro argiloso da época pré-histórica a qual se tornou importante para as implicações das características,culturais e astronômicas e o coloca entre os lugares mais interessantes da região.De 1223 Godego e seu distrito mudaram do domínio dos Ezzelini para os Romanos e seguiram suas tristes sortes.Em 1339 passou para autoridade da Sereníssima (Veneza).Com a invasão napoleônica, que causou a ocupação de todo Vêneto, a região atravessou uma dura crise econômica. Famosa ficou a "matança dos inocentes "em 1945 na localidade de Cacciadora,resultado das tropas alemãs em retirada, da qual ficou uma estrela comemorativa.
Em Castello de Godego,na Igreja de S.Pedro, antiqüíssima, existem duas cruzes de pedra do século XVII. A igreja velha de 1699, ampliada em 1756, igreja de 700 anos foi substituída nas suas frações na 1ª metade do século XX, projetada por Condiani.
   Em Godego existem duas festas tradicionais: a "Sagra del Paese " no 1o Domingo de julho e "Godego in Cornice",com os desfiles dos costumes medievais e do renascimento.
   A economia de Godego representa hoje na economia da província uma real importância. Desde a década de 70, quando saiu da economia agrícola para a artezanal e de pequenas industrias. As economias industriais, mecânicas e alimentares estão em constante expansão e além disso se beneficia da vizinha Castelfranco Vêneto e das províncias de Padova e Vicenza. Nesta região existe um dos polos industriais mais importante de todo o Vêneto.
   Nesta cidade Filippo Baldin se une a Rosa Bobbato e tem inicio a Saga da Família, e sua descendência.

OS ITALIANOS EM CAMPINAS

Os italianos em Campinas e região

Por Romilda Aparecida Cazissi Baldin – escritora, genealogista
Titular da Cadeira Número 8 e vice-presidente do IHGG Campinas

O Brasil deve muito aos imigrantes, principalmente os italianos, que não mediram esforços para se adaptarem à nova terra e aqui plantarem suas raízes mais profundas.
Por volta de 1882, devido a escassez de mão de obra escrava, o Governo Imperial e os fazendeiros resolveram difundir na Europa, e em especial na Itália, na região do Vêneto, falsas vantagens para os trabalhadores agrícolas. Inúmeras foram as mentiras propagadas e, para isso, obtiveram o apoio do governo italiano e de companhias particulares, que agilizavam a vinda deles ao Brasil.
Os venetos, principalmente, foram seduzidos por esta propaganda, a de que teriam todas as garantias de trabalho, terra e semente para plantarem, ajuda financeira para começarem uma vida nova, escola para os filhos, igreja, enfim, tudo o que precisariam para viver na nova terra.
Essas promessas, aliadas ao sonho de liberdade, mesmo não sendo em território italiano, explicam porque em mais de 100 anos de imigração, 28 milhões de italianos espalhados pelo mundo deixaram a pátria e, em sua grande maioria, da região veneta.
Não foi a “americomania” ou ambição por riqueza, como por um bom tempo se ouviu dizer, mas uma questão de sobrevivência que os levou a deixarem a pátria e atravessarem o mar para tentarem uma sorte melhor.
No Brasil, a maioria deles acabava desembarcando no Porto de Santos, passava pela Inspetoria da Imigração, tomava o trem para São Paulo, ficava na Hospedaria dos Imigrantes, hoje Museu da Imigração, e depois seguia para as fazendas de café, onde substituiria a mão de obra escrava. Terminava assim a escravidão negra e se iniciava, como muitos deles disseram, a escravidão branca.
Por volta de 1874 já se encontravam poucos italianos em Campinas. Mas eles vieram mesmo em grande número no final da década de 1880. Como o contingente que aqui aportava era grande, viu-se como necessária a construção de um alojamento para os imigrantes. Aqui eles teriam acomodação provisória e estariam próximos de pessoas que os contratavam. O pedido desse alojamento foi feito em 27 de julho de 1891, em uma das sessões da Câmara Municipal.
Enquanto se pensava onde construir um prédio próprio (coisa que nunca aconteceu), os imigrantes recém-chegados eram alojados nas acomodações do Mercado Grande, até que conseguiram como alojamento provisório, nas antigas instalações das oficinas Bierrembach, no Largo da Santa Cruz.
Embora não oferecessem as condições ideais, as instalações eram espaçosas e acomodaram 560 pessoas. Lá tiveram boa refeição, banho, cama, etc. O regulamento da Hospedaria de Campinas seguia os moldes da de São Paulo. Em geral, a permanência era de oito dias, pois se esperava que até este prazo os trabalhadores seriam contratados.
O regime era rígido. Durante a permanência eram fornecidas três refeições: café e pão às 6 horas; às 9 horas o almoço e às 15 horas o jantar. Os horários de entrada e saída também eram rígidos, os imigrantes eram impedidos de deixar a hospedaria até as 10 horas da manhã. A partir daí podiam sair até às 14 horas, quando se fechavam novamente para o jantar, reabrindo das 16 às 18 horas. Isto reforça a tese de que, também, grande maioria deles desembarcava no Porto de Santos sem saber para onde iria, ao contrário dos vênetos, que eram contratados por agentes ou fazendeiros ainda no país de origem e permaneciam na hospedaria somente para a desinfecção do corpo e das roupas, para que não se corresse o risco de transmitirem alguma doença.
Acredita-se que os italianos foram discriminados, e no caminho para as fazendas ou nas cidades eram vítimas de pessoas inescrupulosas porque não conheciam a língua, os costumes e, depois ao chegarem aos locais de trabalho, passavam a ser maltratados e induzidos ao trabalho constante.
Os italianos sempre estiveram presentes na vida produtiva, social e cultural de Campinas, alguns “artesãos”, como eram chamados na Itália, aqui se estabeleceram: alfaiates, pedreiros, músicos, escultores, sapateiros, carroceiros, barbeiros, etc.
Eles eram unidos e aqui fundaram algumas associações italianas, muitas conhecidas e ainda existentes. Eram as ligas, sociedades beneficentes, de socorro mútuo, onde além de ajudarem aos compatriotas, serviram de escola e enfermarias e eram locais onde se reuniam para preservarem as tradições do país de origem.
Com bandeiras, estandartes, músicas, eles promoviam animadas festas. Dentre estas sociedades, destacamos: XX de Setembro, fundada em 1883, que promovia bailes, piqueniques no Bosque dos Jequitibás, na época chamado das Caneleiras; O Regina Margherita; A Società Confederata de Próspero Bellinfanti que tinha suas reuniões na Escola Corrêa de Melo, e aproveitando o espaço também fundou uma escola noturna; O Circolo Italiani Uniti (que dizem ter sido o responsável pelo fechamento da Confederata); A Società Italiana Lovoro e Progresso, fundada em 21 de agosto 1894, no “Arraial dos Souzas”, e todas tinham por lema a mutuo soccorso, lavoro efratellanza (socorro, trabalho e fraternidade), pois além de socorrer os sócios nas doenças, mantinham viva a língua e estreitavam os vínculos de fraternidade entre eles. Destas somente Circolo Italiani que se transformou no Hospital Casa de Saúde Campinas e a Società Lavoro e Progresso ainda existem.
Essas sociedades presentes no cotidiano de Campinas eram convidadas a participar de diversas comemorações. Quando o Imperador D. Pedro II e a Imperatriz Tereza Cristina passaram por Campinas, em outubro de 1886, a comissão preparou um programa de recepção. Desfilaram a Banda de Música Italiana, a Confederação Italiana com sua escola, o Circolo Italiani Uniti e sua escola. Vale lembrar que a Imperatriz Teresa Cristina era italiana nascida em Nápoles em 1822.
O casal cumpriu intenso programa na cidade, visitando indústrias, hospitais e outros estabelecimentos. O primeiro local foi o Circolo Italiani Uniti, que mantinha escolas para meninos e para meninas. Depois foram ao Colégio Culto à Ciência, ao Matadouro Municipal e ao Passeio Público, uma área de lazer onde havia um coreto e, ali, mais uma vez o Imperador foi homenageado com presentes e música. Os colonos da fazenda Sete Quedas, com seus estandartes e acompanhados pela Sociedade Italiana Confederata, tocaram em agradecimento à visita e ofereceram flores à Imperatriz.
No dia seguinte, na igreja Matriz, o casal imperial batizou o menino Umberto, filho de Próspero Bellinfanti, presidente da Sociedade Italiana Confederada, e seus integrantes compareceram ao batizado, paramentados e executaram músicas italianas ao final da cerimônia.
Antes de partir, como costumava fazer, D. Pedro deixava donativos às instituições: foram 200 réis para o Circolo Italiani Uniti e 200 réis para a Associação Italiana Confederata.
Depois da primeira Grande Guerra Mundial (1914-1918) uma nova turma de italianos entrou no Brasil e, a partir da década de 1920, vários artistas estrangeiros passaram a morar em Campinas e lecionavam pintura, desenhos, músicas, artes plásticas, esculturas em suas casas e pequenos ateliês; os italianos se sobressaíram nas artes plásticas cênicas, musicais, culturais e educacionais.
Vamos citar alguns deles. Nas artes plásticas os escultores: Lélio Coluccini, Tomagnini, José Rosada. Este nasceu em 1875 em Veneza e faleceu em 22 de outubro de 1932 em Campinas, onde fixou residência em 1913 e passou a executar seus trabalhos em túmulos, monumentos, altares. Os executava em granito e bronze, e um de seus trabalhos podemos vê-lo na Praça da Beneficência Portuguesa, onde está um busto em bronze de Luis de Camões.
Nas artes musicais já vimos que em várias festividades as bandas e associações italianas eram convidadas, e além das já citadas, em 4 de julho de 1895, a comunidade italiana funda uma nova banda em Campinas, denominada Banda Ítalo-Brasileira de Campinas, que depois passou a se chamar Banda Carlos Gomes.
Em 1915, a convite da diretoria da Banda Ítalo-Brasileira de Campinas, vem para Campinas o maestro italiano Salvatore Boné, e torna-se um dos mais expressivos elementos desta banda a ponto de sob sua regência ser agraciada com o 1º prêmio no concurso de bandas no Rio de Janeiro, por ocasião do Centenário da Independência do Brasil. Aqui ele foi regente e professor, lecionando em diversos colégios particulares.
Em 1929, juntamente com Mario de Tullio e alguns componentes da Banda Ítalo-Brasileira, fundou a Sociedade Sinfônica Campineira, e quando mudou-se para São Paulo, contratado como solista da Orquestra Sinfônica de São Paulo, foi sucedido por um outro maestro italiano, João de Tullio, que era de tradicional família de irmãos músicos.
Na arte educacional farei um pequeno destaque à Livraria João Amendola, tradicional de Campinas, fundada em 1926 por João Amendola, filho de italianos radicados em Campinas, e que era um intelectual que gostava de escrever e tinha por hábito comprar livros, Principalmente italianos e espanhóis. Sempre que podia comprava livros e os colocava à venda, nascendo assim a tradicional livraria. Escreveu, entres suas produções, o “Dicionário Italiano-Português” e “Terra e Gente da Europa”. Foi presidente do Patronato Assistencial Italiano, e por tudo que fez em defesa dos costumes, língua e cultura italiana, foi condecorado pelo governo italiano.
Desde 1870 até 1970, cerca de 28 milhões de italianos deixaram a Itália e se espalharam pelo mundo. Hoje cerca de 5 milhões de italianos nascidos na Itália vivem em outros países. Somando os italianos nascidos na Itália e os descendentes de italianos, vivem, no mundo, 60 milhões de pessoas de origem italiana, o que equivale à população total do país em 2010. Deste total, 45 milhões de descendentes vivem no Brasil, Argentina e Estados Unidos. No final do século XIX, cerca de 60% das pessoas que imigraram para o Brasil eram italianas.
No ano de 2010, conforme dados da Embaixada da Itália no Brasil, viviam aqui cerca de 26 milhões de descendentes de italianos e 114 mil italianos. Cerca de 300 mil descendentes possuem dupla cidadania.
Referências:
BALDIN, Romilda Aparecida Cazissi. A imigração italiana para Campinas, São Paulo e Brasil. Revista do IHGG Campinas, N. 3. Campinas: Komedi, 2012, pp. 25-28.
BALDIN, Romilda Aparecida Cazissi. Os italianos em Campinas e região. Revista do IHGG Campinas, N. 4. Campinas: Arte Escrita, 2014, pp. 37-42.
BALDIN, Romilda Aparecida Cazissi. E eles embelezaram a morte enaltecendo a vida: escultores italianos em Campinas. Campinas: Solution, 2016.

terça-feira, 3 de janeiro de 2017

FUNDAÇÃO DE CAMPINAS

A origem do povoamento de Campinas está ligada à abertura dos caminhos para o sertão de Goiás e Mato Grosso, feita pelos Bandeirantes paulistas do Planalto de Piratininga. Uma dessas trilhas, aberta entre 1721 e 1730, chamou-se Caminho dos Goiáses. Logo instalou-se um pouso para descanso dos tropeiros que utilizavam esse caminho entre as vilas de Jundiaí e Moji-Mirim. Esse pouso ficou conhecido por Campinhos de Mato Grosso, passou a se denominar Bairro de Mato Grosso, e posteriormente Campinas do Mato Grosso em razão de haver na região três pequenos terrenos descampados (extensos, desabitados e sem árvores, ou seja campo, campina ou planície), o que explica o nome.

O povoamento efetivo começou com a chegada de Francisco Barreto Leme, vindo de Taubaté entre 1739 e 1744. Veio com sua família e conterrâneos e fixou-se em terras adquiridas do que era uma antiga sesmaria.

No ano de 1767, eram 185 as pessoas que moravam no bairro de Mato Grosso, segundo um recenseamento. A economia baseada na agricultura de subsistência e os recursos disponíveis eram mínimos. Em 1772 foi solicitada licença para a construção de uma capela devido à grande distância das igrejas, mais próximas de Jundiaí. Através de pressões políticas as autoridades eclesiásticas concederam, em 1773, autorização para a construção de uma igreja Matriz, ao invés de uma simples capela. Isso significou a emancipação religiosa de Campinas, embora a vila continuasse dependente politicamente de Jundiaí. No mês de maio de 1774, o então governador da Capitania de São Paulo, Dom Luís António Souza Bueno Botelho Mourão - o IV Morgado de Mateus, outorgou a Francisco Barreto Leme a fundação do núcleo e estipulou algumas medidas urbanísticas básicas para o local.
Quadro de Salvador Caruso retratando a 1a. missa.


Francisco Barreto Leme, o fundador de Campinas, nasceu na então Vila de Taubaté, em 1704 e ali se casou aos 26 anos com Rosa Maria de Gusmão. Veio estabelecer-se com a família no termo de Jundiaí e ouvindo falar da uberdade do solo entre a cidade e a Vila de Moji-Morim, passou a residir num lugar chamado de Campinas de Mata Groso. A povoação foi crescendo e Barreto Leme muito fez por ela, ao ponto de conseguir a criação da Frequesia das Campinas de Mato Grosso, tendo doado, ao que se diz, terreno para a primeira igreja.

Em 1774 o governador, D. Luís António de Sousa Botelho Galvão, atendendo naturalmente ao mérito de Barreto Leme, nomeou-o fundador da Frequesia. Morreu no dia 9 de abril de 1782 e foi sepultado na Igreja Matriz da Frequesia, no local onde hoje se encontra a Matriz do Carmo, a moldura acima encontra-se afixada no interior da igreja indicando o fato. Faleceu aos 78 anos, deixando numerosa prole.

segunda-feira, 23 de maio de 2016

PALESTRA SOBRE A IMIGRAÇÃO ITALIANA NA SOCIETÀ LAVORO E PROGRESSO EM SOUSAS-CAMPINAS dia 14.05.2016