terça-feira, 3 de janeiro de 2017

FUNDAÇÃO DE CAMPINAS

A origem do povoamento de Campinas está ligada à abertura dos caminhos para o sertão de Goiás e Mato Grosso, feita pelos Bandeirantes paulistas do Planalto de Piratininga. Uma dessas trilhas, aberta entre 1721 e 1730, chamou-se Caminho dos Goiáses. Logo instalou-se um pouso para descanso dos tropeiros que utilizavam esse caminho entre as vilas de Jundiaí e Moji-Mirim. Esse pouso ficou conhecido por Campinhos de Mato Grosso, passou a se denominar Bairro de Mato Grosso, e posteriormente Campinas do Mato Grosso em razão de haver na região três pequenos terrenos descampados (extensos, desabitados e sem árvores, ou seja campo, campina ou planície), o que explica o nome.

O povoamento efetivo começou com a chegada de Francisco Barreto Leme, vindo de Taubaté entre 1739 e 1744. Veio com sua família e conterrâneos e fixou-se em terras adquiridas do que era uma antiga sesmaria.

No ano de 1767, eram 185 as pessoas que moravam no bairro de Mato Grosso, segundo um recenseamento. A economia baseada na agricultura de subsistência e os recursos disponíveis eram mínimos. Em 1772 foi solicitada licença para a construção de uma capela devido à grande distância das igrejas, mais próximas de Jundiaí. Através de pressões políticas as autoridades eclesiásticas concederam, em 1773, autorização para a construção de uma igreja Matriz, ao invés de uma simples capela. Isso significou a emancipação religiosa de Campinas, embora a vila continuasse dependente politicamente de Jundiaí. No mês de maio de 1774, o então governador da Capitania de São Paulo, Dom Luís António Souza Bueno Botelho Mourão - o IV Morgado de Mateus, outorgou a Francisco Barreto Leme a fundação do núcleo e estipulou algumas medidas urbanísticas básicas para o local.
Quadro de Salvador Caruso retratando a 1a. missa.


Francisco Barreto Leme, o fundador de Campinas, nasceu na então Vila de Taubaté, em 1704 e ali se casou aos 26 anos com Rosa Maria de Gusmão. Veio estabelecer-se com a família no termo de Jundiaí e ouvindo falar da uberdade do solo entre a cidade e a Vila de Moji-Morim, passou a residir num lugar chamado de Campinas de Mata Groso. A povoação foi crescendo e Barreto Leme muito fez por ela, ao ponto de conseguir a criação da Frequesia das Campinas de Mato Grosso, tendo doado, ao que se diz, terreno para a primeira igreja.

Em 1774 o governador, D. Luís António de Sousa Botelho Galvão, atendendo naturalmente ao mérito de Barreto Leme, nomeou-o fundador da Frequesia. Morreu no dia 9 de abril de 1782 e foi sepultado na Igreja Matriz da Frequesia, no local onde hoje se encontra a Matriz do Carmo, a moldura acima encontra-se afixada no interior da igreja indicando o fato. Faleceu aos 78 anos, deixando numerosa prole.

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